16 set 2025

[Cindy Blanco, Ph.D.](https://blog.duolingo.com/author/cindy/)

# O que são línguas românicas?

Não, elas não são românticas, e sim românicas, mas você vai amar conhecê-las melhor!

16 set 2025

[Cindy Blanco, Ph.D.](https://blog.duolingo.com/author/cindy/) [Emilie Zuniga, Ph.D.](https://blog.duolingo.com/author/emilie/)

Se você está estudando um idioma, então sabe o que é o amor: é aquilo que sente quando aprende mais um tempo verbal, é o frio na barriga quando faz uma piada naquele idioma, é o coração que acelera quando você ouve — e _entende_ — algo que um personagem disse em uma série estrangeira. _This is love!_

Contudo, não é esse clima que os linguistas têm em mente quando falam sobre línguas românicas (veja bem: “românicas”, não “românticas”). O francês, o espanhol e o italiano já foram todos chamados de “língua do amor”, mas o que os une não é a poesia ou a paixão, é o latim.

## As línguas românicas começaram com o latim

O latim pertence à [família das línguas indo-europeias](https://blog.duolingo.com/pt/familias-linguisticas-idiomas-relacionados/), um enorme conjunto de idiomas provenientes da Europa e da Ásia Central. Quem carregou esse idioma pelo continente europeu foi o Império Romano, espalhando-o pelas regiões onde hoje ficam a Espanha, a França e os Bálcãs, entre muitas outras. Todas essas terras já tinham pessoas, línguas e culturas próprias quando os romanos chegaram lá.

Assim, as versões do latim que os romanos falavam (muitas vezes chamadas de “latim vulgar”) influenciaram os idiomas locais de várias formas: por mistura, dominação ou destruição. Ao longo do tempo, essas formas regionais do latim vulgar evoluíram para os idiomas distintos, mas da mesma família, que hoje chamamos de _línguas românicas_.

## Ainda falamos mais de uma dúzia de idiomas românicos

Como a [mudança linguística é inevitável](https://blog.duolingo.com/language-evolution-in-history/) (post em inglês), vários idiomas românicos já não existem mais. Alguns exemplos são o dálmata, que era falado ao longo da costa adriática; o judeo-português, historicamente usado por comunidades judaicas sefarditas em Portugal e outros territórios; navarro-aragonês, um importante idioma medieval do nordeste da Espanha; o auregnais, antigamente falado na Ilha de Alderney, no Canal da Mancha; e o românico gótico, uma suposta variedade românica que teria sido influenciada pela língua gótica no início da Ibéria.

Felizmente, muitas outras línguas românicas sobreviveram. As mais famosas são português, espanhol, italiano e francês, mas trouxemos algumas outras para você conhecer:

- **Galego:** Falado por cerca de 2,2 milhões de pessoas na comunidade autônoma da Galiza, no noroeste da Espanha.
- **Asturiano:** Usado na região das Astúrias, no norte da Espanha, por cerca de 100 mil falantes nativos, além de várias centenas de milhares que o falam como segunda língua. É considerado em risco de extinção pela dominância crescente do espanhol.
- **Occitano:** Falado por cerca de 110 mil pessoas, principalmente no [sul da França](https://blog.duolingo.com/french-occitan-language/) (post em inglês), mas também em partes da Itália, Mônaco e em Val d’Aran, na Espanha. É considerado em grave risco de extinção.
- **Catalão:** Falado por mais de 9 milhões de pessoas na Catalunha, Ilhas Baleares, Andorra, partes do sul da França e algumas regiões próximas.
- **Arpitano** (também chamado de franco-provençal): Falado em partes do leste francês, oeste suíço e Vale de Aosta, na Itália, por menos de 150 mil pessoas. É considerado em grave risco de extinção.
- **Romanche:** Usado no leste suíço por cerca de 60 mil pessoas e considerado em risco de extinção.
- **Ladino:** Falado na região montanhosa das Dolomitas, no norte italiano, principalmente em Bolzano, Trentino e Belluno, por cerca de 30 mil pessoas. Considerado em risco de extinção.
- **Siciliano:** Falado na Sicília e partes do sul da Itália, incluindo a Calábria e a Apúlia, por cerca de 4,7 milhões de pessoas.
- **Sardo:** Usado na Sardenha por mais de 1,5 milhão de falantes. Apesar desse número grande, é considerado em risco de extinção devido à mudança crescente para o italiano.
- **Romeno:** Falado por cerca de 24 a 26 milhões de pessoas, principalmente na Romênia e Moldávia, além de comunidades na Ucrânia, Sérvia, Hungria e uma diáspora global.

## As línguas crioulas contam outra história

A história dos idiomas românicos não acaba na Europa. Conforme se espalharam pelo mundo, geralmente [por meio da colonização, escravidão e comércio](https://blog.duolingo.com/language-evolution-in-history/#case-3-pidgins-and-creoles-in-africa-and-the-americas) (post em inglês), eles entraram em contato com diversos outros idiomas, dando origem a novas variedades com raízes locais. Em muitas regiões, as comunidades desenvolveram [pidgins](https://blog.duolingo.com/are-some-words-unnecessary/#pidgins-languages-with-only-the-most-important-words) (post em inglês) e às vezes também línguas crioulas: idiomas completos com sua própria gramática e identidade.

Pidgins e línguas crioulas são moldadas pela criatividade linguística e resiliência de seus falantes. Muitas têm ligações com as línguas românicas pelo contato histórico, mas ao longo do tempo ficaram cada vez mais diferentes delas e umas das outras — ou seja, são muito mais do que simplesmente variações ou dialetos. Veja alguns exemplos de idiomas crioulos que se desenvolveram em parte pelo contato com idiomas românicos:

- **Crioulo haitiano:** Falado por mais de 10 milhões de pessoas, [o crioulo haitiano](https://blog.duolingo.com/haitian-creole-duolingo/) (post em ingês) se desenvolveu durante o domínio colonial francês e é uma língua com sua própria estrutura, vocabulário e identidade. Embora algumas palavras sejam reconhecíveis por falantes de francês, o crioulo haitiano não é uma forma dessa língua, mas sim um idioma próprio, profundamente moldado por línguas africanas e pela inovação local.
- **Papiamento:** Usado em Curaçao, Aruba e Bonaire, o [papiamento](https://blog.duolingo.com/pt/idiomas-afro-latinos-e-afro-indigenas) tem raízes relacionadas ao espanhol e ao português, junto com idiomas africanos e holandês. Ele reflete séculos de mistura linguística e cultural no Caribe.
- **Crioulo cabo-verdiano:** Falado nas ilhas de Cabo Verde, esse idioma tem origem no contato com a era portuguesa, incorporando padrões linguísticos da África Ocidental e a criatividade da comunidade.
- **Chavacano:** Nas Filipinas, o chavacano emergiu do contato colonial com o espanhol, misturando o vocabulário dessa língua com a gramática influenciada por línguas locais como o tagalo e o cebuano.

Esses idiomas nos lembram que o contato linguístico não apenas modifica línguas mais antigas, como também cria outras completamente novas. Assim, as línguas crioulas não carregam só ecos das românicas, mas também as histórias e vozes das pessoas que fizeram dessas palavras as suas.

## As línguas românicas ainda têm traços dos idiomas conquistados

Como o [contato linguístico](https://blog.duolingo.com/why-do-languages-change/) (post em inglês) é uma via de mão dupla, os idiomas românicos modernos muitas vezes têm palavras ou regras gramaticais dos idiomas [celtas](https://blog.duolingo.com/celtic-words-in-spanish/) (post em inglês), [germânicos](https://blog.duolingo.com/how-goths-influenced-spanish/) (post em inglês), eslavos e outros que eles encontraram pela Europa. Por exemplo, o romeno é uma língua românica que tem uma grande influência das línguas eslavas. Ele compartilha muita coisa com as suas irmãs românicas, especialmente o italiano, mas também há muitas coisas que vêm dos idiomas eslavos, como:

- **Pronúncia.** Há traços de influência eslava em como se pronuncia a língua romena, como no som do “h”. Palavras como _duh_ (espírito) e _hrean_ (raiz-forte) foram empréstimos eslavos, e pode ter sido assim que o romeno ganhou o som de “h”!
- **Vocabulário.** Também vemos uma clara influência eslava no vocabulário romeno. Termos como _prieten_ (amigo), _bogat_ (rico) e _rai_ (paraíso) todos têm raízes eslavas. Mesmo a palavra padrão para “neve”, _zăpadă_, é de origem eslava, enquanto a palavra que evoluiu do latim, _nea_, sobrevive mais na poesia e no falar regional.
- **Gramática.** O romeno é a única língua românica que ainda tem um [sistema de casos](https://blog.duolingo.com/what-are-noun-cases/) (post em inglês) funcional. Isso provavelmente se deve à influência dos idiomas eslavos, muitos dos quais usam casos gramaticais. O sistema de casos do romeno deve ser remanescente do latim, mas algumas das _terminações_ usadas nos casos vieram diretamente dos vizinhos eslavos!

## Se apaixone pelo legado do latim

De conquistas militares a vilarejos montanhosos, de raízes latinas a terminações eslavas, as línguas românicas viajaram muito. Que tal começar um romance com elas? 💘
